

A Magia e a Tradição da Caçada da Rainha em Monte do Carmo
Cultura, fé e ancestralidade se encontram em uma das manifestações mais tradicionais e vibrantes do Tocantins: a Caçada da Rainha, um dos pontos altos da festa de Nossa Senhora do Rosário, em Monte do Carmo. O festejo, que resiste há mais de dois séculos e atrai milhares de visitantes à cidade, une o fervor religioso a elementos de forte herança negra, indígena e europeia.
A celebração nas ruas é marcada pelo som contagiante dos tambores, cantos e danças de congos e taieiras que remetem à histórica Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. A programação envolve personagens marcantes como reis, rainhas, caçadores, dançadores e os divertidos caretas — figuras mascaradas que animam o público e a criançada.
Entre uma roda de dança e outra, onde há espaço até para o tradicional equilíbrio de garrafa na cabeça, os foliões saboreiam a culinária típica da região, que inclui bolos, biscoitos artesanais e licores tradicionais de sabores como jenipapo, caju, tamarindo e murici.
A Origem da Tradição
Segundo relatos de integrantes do grupo cultural, a "Caçada à Rainha" simboliza uma antiga prática nobre em que o Rei e a Rainha saíam para caçar acompanhados de convidados e de negros escravizados — estes últimos responsáveis pela cozinha, que acompanhavam o trajeto cantando e tocando tambor.
Hoje, a festividade mantém viva essa herança por meio da benção e coroação do Rei e da Rainha pela Igreja Católica, rito que coroa meses de organização comunitária. Mais do que um evento religioso, a Caçada da Rainha é um verdadeiro espetáculo vivo da identidade e da cultura tocantinense.
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